“Os pequenos gestos sempre são os maiores causadores de sorrisos.”
Letícia Sgalbiero (garota-de-lata)

“Há uma grande diferença em algo ser interessante e em algo te conquistar. Nem tudo que lhe parece interessante é o que te conquista, pois o que agrada aos olhos pode não agradar ao coração.”
Letícia Sgalbiero (garota-de-lata)

Era uma daquelas noites mal dormidas em que acordava de madrugada pensando nele e chorava, quando seu celular tocou (…)

Aos poucos, sua visão embaçada que as lágrimas lhe causara outrora foi identificando o conjunto de letras que se formava no visor do telefone. Era ele. Tocava freneticamente aos acordes de sua música favorita, uma batida agitada, assim como o conflito interno que iniciara dentro de si ao ler o nome no visor de seu celular. Em meio a tantos “não” e “sim”, decidiu por fim atender.

— Alô?

— Alô, hm… Oi.

— Por que a ligação?

— Queria ouvir a sua voz.

— Essa hora?

— Senti a sua falta.

Uma pontada de tristeza invadiu seu interior e a garota deixou uma lágrima escapar.

— Hm…

— Por que se afastou? Eu não entendo o que houve com a gente…

— Não é o que houve com “a gente”, pois não existe nenhum “nós”. Existe “eu” e “você”. Duas pessoas diferentes. Não é o que houve “conosco” e sim o que houve “comigo”.

O garoto pareceu arfar do outro lado da linha, e após um longo intervalo silencioso enquanto a garota decidia se desligaria ou não, decidiu retomar a fala.

— Então o que houve com “você”? 

— Cansei.

— De mim?

— Não, de mim.

— Não entendo.

Suspirou, cansada, e então decidiu por fim falar tudo de uma vez e tirar um peso sobre seus ombros.

— Cansei do meu antigo “eu”, que amava por dois, se iludia com qualquer coisa, se magoava por qualquer coisa, mesmo já sabendo que você jamais sentiria algo por mim outra vez, coisa que eu nunca deixei de fazer por você.

— E quem disse que eu não te amava?

— Eu percebia no modo como falava. Até mesmo quando ainda éramos um “nós”, sempre falava da nossa história como se já tivesse uma data pra acabar, uma data de validade. Mas acredite, quando se ama alguém, não se põe pontos finais e sim reticências, porque a história sempre irá passar de apenas um final feliz. Amor verdadeiro não tem um ponto final.

— Talvez eu só não soubesse demonstrar da maneira certa.

— Ou talvez quisesse arranjar um meio de terminar desse jeito mesmo.

— Não fale assim. Por que tanto ódio de mim? Eu te fiz sofrer? Eu ainda te faço sofrer?

— Eu não tenho ódio de você, tenho ódio de mim. Você nunca me fez sofrer. Choro porque me arrependo de muitas coisas que fiz a você, porque sei também que não sou santa e te afastei. Choro porque penso que, se não fosse por certos atos meus, eu ainda poderia te chamar de “meu idiota”. Mas principalmente choro porque penso que nenhum momento o nosso “nós” poderia ter sido verdadeiro pra você.

— Me desculpa se te passei a impressão errada.

— Tudo bem, não acredito mais em destino. As coisas agora são bem claras. Se acontecem significa que há um porquê por trás disso. Talvez eu não fosse a pessoa certa pra você.

— Então por que eu ainda te amo?

— Porque ninguém pode mandar no coração. 

— E por que mais eu te ligaria a essa hora pra falar o que acabei de dizer?

— Porque talvez essa conversa aconteceria de qualquer maneira.

— Ainda dá tempo de consertar os erros e reescrevermos do zero nossa história.

— Nunca deu certo, lembra?

— Por que faz questão de olhar pra trás? Por que não pode simplesmente apagar tudo e tentarmos outra vez?

— Não tentamos apenas uma vez. E nenhuma delas deram certo. Isso é um sinal. Não sou a garota certa pra você.

— E talvez eu também não seja o garoto certo pra você. Mas isso não quer dizer que não podemos tentar mais uma vez.

— Eu vou te machucar, como sempre.

— Sempre nos machucamos, e nosso sentimento um pelo outro permaneceu intacto, por que não tentar? Me diz um motivo.

Transbordando em lágrimas, a garota reprimia os soluços mordendo os lábios até sentir o gosto de sangue. Respirou fundo, tomou coragem e disse por fim:

— Eu te amo. Juro, eu te amo. Mais até do que a mim mesma. Confio em você mais do que confio em qualquer outra pessoa. Eu lembro de todas as vezes que te fiz chorar. E quando a gente ama, lembramos mais dos nossos erros do que os da outra pessoa. E eu lembro dos meus. A partir do momento que eu te machuquei, não tenho coragem de fazê-lo novamente. E sei que farei de novo. Porque é assim que eu sou, eu machuco as pessoas ao meu redor com palavras duras. E quando a gente ama alguém, a única coisa que desejamos a outra é que ela seja feliz. E se eu não fui capaz de te fazer feliz, com certeza terá alguém que fará. Sabemos que o amor é verdadeiro quando você deixa a pessoa livre pra ser feliz com outra, e é o que eu estou fazendo. Não posso ficar com você, mas não isso não quer dizer que eu te ame menos. Eu te amo mais. Muito mais do que você possa imaginar. E é por isso que eu deixei o caminho livre pra você encontrar o que toda pessoa deseja: a felicidade.

E então, a jovem garota desligou a ligação e se afogou em lágrimas, com o coração praticamente em suas mãos. Aquele foi um “adeus” para aquilo que ela um dia chamou de sua “vida”. E por mais que o coração dela lhe pedisse para tentar outra vez, desta vez decidiu que a razão falaria mais alto e ela, tentaria ser feliz. Esperaria pelas feridas recém-criadas virarem cicatrizes apenas. Mas a tal da felicidade, nem tão cedo apareceria para ela. Porque o enorme buraco no peito, oh, aquele buraco no peito só ele poderia completar. — Letícia Sgalbiero (garota-de-lata)


“E só importa
O quão verdadeiro você é.
Seja leal com você mesmo
E siga seu coração.”
Hilary Duff

Um. Dois. Três. E o sinal toca. Esse foi um fim de uma jornada, uma vida. Recolhi meus livros e cadernos, enquanto todos se despediam no último dia de aula. Em silêncio, adentrei os corredores da escola. Ninguém quis assinar meu livro anuário,ninguém ao menos me deu um “adeus”Os mais inteligentes já tinham suas vagas garantidas em grandes faculdades públicas conceituadas, já os mais populares seus pais já havia os matriculado em grandes e famosas faculdades particularesE eu… Eu continuava sem saber do meu futuro. Meus pais exigiam uma resposta imediata, eu queria apenas seguir meu sonho. Ao chegar em casa em silêncio, procurei meu único amigo: meu violão. Montei a melodia da música que acabara de compor no dia anterior. Ninguém além dos meus pais sabiam desse meu amor à música, porém eles não me apoiavam. Achavam que música não me daria futuro. Ao fim da melodia feita, procurei meu sobretudo surrado e meu gorro ainda infantil e parti para a Times Square fazer o que eu sempre fazia, sentar naquele banco solitário que havia sendo nos últimos dias, ao lado de meu violão, um dos meus melhores amigos. E toquei. E cantei. Sem me importar com as pessoas ao redor. Apenas coloquei para fora tudo que eu estava sentindo nos últimos dias. Ao terminar, observei em volta daquele ponto da movimentada praça e vi quantas pessoas se aglomeravam para assistir o pequeno e não-intencional espetáculo. Um pouco espantada com o tumulto causado por mim, um senhor de meia-idade se aproximou e me esticou sua mão. Na ponta de seus dedos enrugados havia um pequeno cartão, com seu nome, um número e endereço, denominado de “Globe Records”, o que me parecia uma gravadora, e me disse “quando uma pessoa tem tal dom, não se pode esperar para mostrá-lo ao mundo”. Senti uma pontada de esperança naquilo. No dia seguinte, fui até a tal gravadora e lhes disse que fui indicada por Paul, o nome que havia no cartão. Me redirecionaram à uma sala, e eu cantei para eles (…) Hojeseis meses depois sou muito feliz com o que faço. Faço o que eu amo. Faço o que eu vivo. Faço a minha música. Não desista de seus sonhos, mesmo que te digam que não conseguiráVá em frente, lute, busque. E à todos aqueles que duvidaram um dia do meu futuro e de que eu seria alguém importante na vida de algumas outras pessoas, encontrei uma maneira de trazer felicidade ao mundo. Muito obrigada pelos obstáculos. Fizeram de mim uma pessoa forte. (história fictíciagarota-de-lata). 


Dizem que as mulheres só tem o 8 de março porque o resto dos dias são dos homens. Eu discordo disso. O que seriam dos homens sem nossa presença em seu cotidiano? Provavelmente seriam uma raça já extinta, caso eles não pudessem se reproduzirem entre si. Mulher hoje em dia é muito mais do que a imagem machista do homem de “dona-de-casa” e nada mais. Mulher é guerreira, sabe por que? Olhe só toda a nossa estrada de luta por nossos direitos iguanitários, e que até hoje nem funciona tão bem assim. Perdemos heroínas, para que hoje pudéssemos ter nossos direitos “iguais” ao dos homens. E ainda assim, muitas de nós sofremos. Agressões. Preconceito. Pré-conceito. Vejamos, vocês homens conseguiriam enfrentar um dia apenas como uma mulher? Tente sentir a dor forte de uma cólica, de uma depilação a cera quente, um parto, uma decepção, um medo. Sinta aquela saudade de um certo alguém que você já não vê a algum tempo. Trabalhem o dia inteiro se equilibrando num salto, talvez até mesmo aquele salto-agulha. Alongue o cabelo. Faça as sombracelhas. E se ainda conseguir a sobreviver a este dia, parabéns a você. Se não, tenha mais respeito por nós mulheres. Até porque estamos tomando conta do seu mundo a cada dia mais, homem. Estamos lado a lado. E então, respeito. 8 de Março não existe por um acaso do destino. É um marco histórico da nossa jornada. E é um marco histórico não só das mulheres que vocês vêem passando pelas ruas apressadas, e sim também da guerreira e heroína que te gerou e te trouxe ao mundo. Não se esqueçam disso, tudo bem? Então sejam gordas, magras, baixas, altas, loiras, morenas, ruivas, heterossexuais, homossexuais, bissexuais, mães, avós, ou só pelo fato de fazerem parte da nossa história que se constrói a cada dia de um modo geral… Parabéns mulher, você merece esse dia. O nosso dia. — Letícia Sgalbiero (garota-de-lata)


“A vida dá volta
E eu serei forte.
Mesmo se tudo der errado,
Quando eu estiver no escuro,
Ainda vou acreditar
Que alguém está olhando por mim.”
Hilary Duff

Garota tola, de muitos sentimentos e pouca ação. Menina boba, chora por tudo, por tudo chora. Garota sensível, se importa com tudo e todos ao seu redor. Menina ingênua, acredita em tudo em que lhe dizem ser verdade. Oh garota, seja mais você mesma. Acorda, menina! Siga seus instintos, suas intuições. Enfrente seus medos, e em frente siga. Mas jamais siga deixando algo para trás. Pois esse algo sempre fará você dar aquela espiadinha por cima do ombro, e fará com que seus dez passos a frente se tornem os vinte para trás. “Enfrente seus medos, enfrente seus medos” repetia a si mesma, todos os dias. Se enchia de coragem, mas era só ao ver aquele certo “Oi” no M.S.N. que perdia toda coragem de partilhar os seus sentimentos com quem deveria; com ele. Por que será? Nem ela mesmo sabia. E então, tentava todos os dias reprimir tais sentimentos consigo mesma. A questão era, quanto mais ela reprimia, mais sufocava a si mesma. E nada do que ela fazia, ele parecia entender que era para ele; que era por ele. Talvez porque ele já mantivesse sua atenção redirecionada a outro alguém e então, não notasse todos os esforços desta menina que tentava todos os dias ser uma pessoa melhor e pudesse merecê-lo estar ao seu lado. Mas para a pobre garota, parecia que todos os seus esforços seriam meras e inúteis tentativas, já que ele não a notava, talvez já nem sentisse o que sentira por ela antes. Então aos poucos, a tal menina tola foi desistindo. De viver. De amar. De amar por dois. Aos poucos, a tal garota foi esquecendo esse sentimento que a completava e que agora a fazia se sentir oca por dentro. E então, ela agora é forte o suficiente para colocar um sorriso no rosto e dizer “estou bem”, embora maioria das pessoas ainda confundam um “estou bem” com um “estou feliz”. Na verdade, ela não estava mentindo, ou estava… Para si mesma. Porém, tola ela jamais seria como outrora foi. Não mais.  — Letícia Sgalbiero (garota-de-lata)


Eu me apaixono pelo errado, faço o certo. Eu me apaixono pelo certo, faço o errado. Tô cansando dessa bipolaridade véi, na boa.


Eu faço tudo errado sempre.